A comunicação empresarial e as mídias sociais
Artigo de Cláudio Torres, consultor em marketing digital e mídias sociais, autor do livro A Bíblia do Marketing Digital, publicado originalmente em 27-07-2009
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As mídias sociais são um fenômeno, que se consolidou no Brasil e no mundo, e que não pode mais ser desconsiderado pelas empresas. No Brasil, com cerca de 50 milhões de pessoas acessando a Internet, mais de 80% dos internautas participa de algum tipo de rede social, e nesta mesma proporção lêem blogs regularmente.
Mas como todo novo fenômeno de mercado, as empresas ainda estão se adaptando a esta realidade, e na maioria dos casos não sabem como agir, principalmente nas relações públicas e na comunicação empresarial.
Os executivos se dividem quando o assunto é a relação com as mídias sociais. Há a turma dos ansiosos, que acham que já deviam ter feito seu perfil no Twitter, e a dos conservadores, que acham que as mídias sociais são muito arriscadas, sem controle algum, e portanto preferem ficar de fora.
Para os dois grupos a empresa deve controlar os ímpetos dos ansiosos, e criar um sério e consistente planejamento de comunicação nas mídias sociais, e sair do imobilismo dos conservadores, entendendo uma realidade incomoda : Não cabe a empresa decidir se entra ou não, pois os consumidores vão falar da empresa e de seus problemas, queira ela ou não.
A transparência e prevenção são as palavras chaves, e recentemente três empresas, Domino´s Pizza, Amazon e Dafra, se envolveram com incidentes nas mídias sociais, que exemplificam bem essa nova realidade da comunicação entre a empresa e o consumidor.
No caso da Domino´s Pizza, dois funcionários publicaram um vídeo no YouTube, fazendo coisas realmente nojentas, como espirrar sobre as pizzas que iam ser entregues. A empresa reagiu, publicando um vídeo, também no You Tube, com as desculpas e explicações do CEO da empresa, além de demitir, processar os funcionários, e pedir ao You Tube que retirasse o vídeo.
A Amazon, que furtivamente retirou do ar os livros relacionados ao público Gay, se enrolou com explicações mal elaboradas, quando blogueiros e twitters começaram a falar mal e se rebelar publicamente com a atitude da loja virtual.
A Dafra teve seu comercial, no qual o ator Wagner Moura faz um discurso épico para uma multidão de consumidores, redublado por um consumidor revoltado, que publicou, no YouTube, uma versão bastante ofensiva à marca. A empresa conseguiu saber do fato a tempo e retirou o vídeo do ar.
Os três casos mostram uma realidade simples : Não há onde se esconder. Se a empresa não participar, ela será engolida pelas mídias sociais e não terá como se defender. Além disso, não participar significa também deixar de falar com milhões de consumidores, sobre sua marca e seus produtos.
Coletando vários casos e opiniões de outros especialistas, elaborei um conjunto de sete recomendações, que na minha opinião devem ser adotadas pelas empresas na comunicação corporativa e na relação com as mídias sociais, sem se deixar levar pelos ansiosos, nem ficar estático, como querem os conservadores, esperando pelo caos. Vamos então as recomendações.
1. Monitore tudo : Escute o que o consumidor está falando nas mídias sociais. Monitore o que está acontecendo e acompanhe as redes sociais. Existem inúmeras ferramentas para isso.
2. Se conheça melhor : Defina as suas reais prioridades e o que mais importa para a sua empresa. Seja sincero e pergunte o que a sua organização realmente valoriza. Esteja preparado para expor isso para as mídias sociais.
3. Seja social : Amplie seu networking. Exponha-se. Participe. Não se esconda atrás da mesa. Use as mídias sociais para ser social.
4. Comande a festa : Faça com que o site de sua empresa comande a conversa. Comece a falar e a liderar a discussão sobre os fatos importantes do seu setor, através de blogs e da participação nas mídias sociais.
5. Seja multimídia : Converta todo o material da sua empresa em versões para áudio, vídeo, imagem e texto, e publique seu material em todos os meios possíveis, disponíveis nas mídias sociais.
6. Continue na mídia : Não abandone a mídia convencional, ao contrário, foque seus esforços nos principais veículos de mídia on-line do seu setor.
7. Planeje : Planeje para uma crise. Crie uma estratégia de mídias sociais que planeje sua empresa para se comunicar, mas também para enfrentar uma eventual crise de comunicação e imagem. Ela é inevitável, então esteja preparado e discuta o que fazer.
O mais importante, nos dias de hoje, é que a empresa seja responsável, autentica e sincera na sua comunicação com as mídias sociais, respondendo aos consumidores e adotando ações transparentes de correção quando algo sair errado.
Cláudio Torres
Escritor, Palestrante e Consultor em Marketing Digital
Livro A Bíblia do Marketing Digital – Lançamento em Agosto.
Social Marketing – Marketing digital e publicidade on-line – Curso em São Paulo, Curitiba e Rio
Sobre o Autor
Cláudio Torres é graduado em Engenheira Eletrônica pelo ITA, tem Mestrado em Sistemas pela USP, e fez pós-graduação em Marketing na Suécia. Atua como consultor e palestrante em marketing digital e mídias sociais, e desenvolve campanhas publicitárias na internet para várias agências de publicidade. É Editor de vários blogs e portais, como o www.claudiotorres.com.br e o www.enochatos.com.br. É sócio de diversos projetos na internet como a www.infobot.com.br, empresa de consultoria em marketing digital, o www.postexpress.com.br, plataforma de monitoramento de mídias e redes sociais, e o www.brichos.com.br, portal de entretenimento infantil da marca Brichos.
Artigo de Cláudio Torres, Palestrante, Consultor em marketing digital e mídias sociais, e autor do livro A Bíblia do Marketing Digital.
Você pode ler, copiar, divulgar, distribuir, postar no seu blog, em parte ou na integra, desde que não se esqueça de citar o autor (Cláudio Torres) e colocar o link para o artigo original.
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Sou comunicóloga da área de jornalismo, mas por curiosidade fiz algumas optativas na faculdade de publicidade. Numa aula perguntei ao professor por que muitas vezes as pessoas se lembram do comercial, inteligente e aparentemente bem bolado e não se lembram da MARCA vinculada a eles. O mestre foi taxativo: “então não é uma boa propaganda!”
O perigo dessas peças publicitárias é bem isso. A idéia e a marca distanciadas. O benefício da mensagem eletrônica é a conexão imediata, na ponta dos dedos, da empresa com seu consumidor. E isso é um filão riquíssimo que precisa ser respeitado.
Caro Claúdio Torres, a verdade é esta: “não há onde se esconder”. Então o melhor é participar de forma consciente.
Rafton Carlos
@raftonsbrand
raftonsbrand.wordpress.com
Concordo Carlos. Ser transparente e sincero.
O mundo está caminhando para um publicidade de relacionamento. Eu chamo isso de Social Marketing. Por isso o nome do meu curso.
Olá,
Escrevi ontem no meu blog sobre isso. Hoje a imagem da empresa ou marca esta 24 horas a disposição dos consumidores defenderem ou atacarem, qualquer ação que seja feita. Não tem mais como fugir disso, como você disse a saída é participar dessa onda e tentar tirar o melhor proveito.
Sim. Acho que a essencia é a empresa entender que não há opção. Não agir, não impede que aconteça.
Ana Cristina, sou publicitário e atuo na área há mais de 10 anos. Provavelmente esse tipo de erro ocorre quando falta equilíbrio entre o filme e a forma como a marca é exposta. A receita é sempre zelar pelo equilíbrio.
Me explica melhor Neto!!!
Por favor Neto, me explica melhor!
[...] ano passado escrevi um artigo intitulado “Comunicação empresarial e as mídias sociais“, que tenho certeza, que se a Locaweb e seus Diretores tivessem lido e aplicado, a situação [...]
[...] ano passado escrevi um artigo intitulado “Comunicação empresarial e as mídias sociais“, que tenho certeza, que se a Locaweb e seus diretores tivessem lido e aplicado, a situação [...]